Giovanni Schiavo

Giovanni Schiavo

(1903-1967)

Beatificazione:

- 28 ottobre 2017

- Papa  Francesco

Ricorrenza:

- 27 gennaio

Sacerdote professo della Congregazione di San Giuseppe (Giuseppini del Murialdo), fu inviato giovane prete in Brasile, dove ha lavorato con zelo al servizio del popolo di Dio e della formazione dei religiosi e delle religiose

  • Biografia
  • IL MIRACOLO
  • omelia di beatificazione
“Padre, io sempre ho voluto fare la tua volontà”

 

Giovanni Schiavo nacque l’8 agosto 1903 a Sant’Urbano, frazione di Montecchio Maggiore (Vicenza, Italia).

Ricevette dai genitori una profonda formazione umana e cristiana e, desideroso di diventare sacerdote, entrò nella Congregazione di San Giuseppe. Il 10 agosto1927 fu ordinato sacerdote.

Missionario in Brasile, dopo una breve ma fruttuosa esperienza di parroco a Galópolis, profuse il suo impegno in modo particolare nella formazione dei ragazzi del seminario minore e del noviziato e nella pastorale giovanile; quindi fu preposto alla guida dei confratelli giuseppini in Brasile. Nel 1954 promosse la nascita delle Suore Murialdine di San Giuseppe. La sua vita fu segnata da una profonda interiorità e da un rapporto vivo e personale con il Signore.

Non esitava a donare il suo tempo per la direzione spirituale, il dialogo di accompagnamento, il sacramento della Riconciliazione. Amore all’Eucaristia, fiducia nella Provvidenza, tenera e robusta devozione a Maria e Giuseppe, adesione incondizionata alla volontà di Dio, furono i tratti salienti della sua personalità. Il 27 gennaio 1967 a Caxias do Sul (RS), chiuse gli occhi alla luce di questo mondo, accompagnato da una chiara fama di santità.

Il 14 dicembre 2015 Papa Francesco ne riconobbe l’eroicità delle virtù.

I resti mortali di padre Giovanni Schiavo riposano nel piccolo cimitero delle Suore Murialdine a Fazenda Souza.

“La sua luminosa figura - mette in luce il cardinale Amato - è caratterizzata dalla tensione alla santità e dal dinamismo apostolico”. Più di un testimone ha parlato di “uomo santo” riferendosi a don Giovanni Schiavo. “La celebrazione quotidiana della Santa Messa era la fonte e la cattedra dalla quale provenivano le ispirazioni a compiere il bene”, riferisce il prefetto della Congregazione delle Cause dei Santi. La sua esistenza si basava “sull'amore di Dio e sull'abbandono alla Divina Provvidenza”.

 

In vista della sua Beatificazione, la Postulazione della Causa ha sottoposto al giudizio della Congregazione delle Cause dei Santi la guarigione prodigiosa di un uomo. L’evento ebbe luogo a Caxias do Sul (Brasile) nel 1997.

Nonostante avesse sempre goduto di buona salute, l’uomo il 12 settembre di quell’anno fu sottoposto a intervento urgente a causa di una trombosi acuta della vena mesenterica superiore, che gli aveva provocato gravi danni all’intestino. Il chirurgo ipotizzò un intervento di ampia resezione; ma, trovandosi nell’impossibilità di eseguirlo per la gravità e l’estensione della lesione intestinale né di praticare alcuna altra terapia, formulò una prognosi infausta in breve e fece trasferire il paziente nel reparto di terapia intensiva. Davanti a questa terribile situazione la moglie dell’infermo e tutta la famiglia cominciarono a pregare intensamente il Venerabile Giovanni Schiavo, molto famoso per le sue virtù e popolarmente venerato come taumaturgo, la cui tomba non è lontana dalla loro abitazione. Sotto il guanciale dell’infermo posero una piccola immagine del Venerabile. Le preghiere continuarono e si intensificarono nell’arco di una settimana, alla fine della quale il paziente fu dimesso e fece ritorno a casa in buona salute e senza alcun esito a distanza.

Sulla guarigione, ritenuta miracolosa, presso la Curia ecclesiastica di Caxias do Sul dal 19 marzo al 12 settembre 2009 fu istruita l’Inchiesta diocesana, la cui validità giuridica è stata riconosciuta da questa Congregazione con decreto del 4 giugno 2010. La Consulta Medica del Dicastero, nella seduta del 18 febbraio 2016, ha riconosciuto che la guarigione fu rapida, completa e duratura, inspiegabile alla luce delle attuali conoscenze mediche. Il 16 giugno 2016 si è tenuto il Congresso Peculiare dei Consultori Teologi. Il 18 ottobre 2016 ha avuto luogo la Sessione Ordinaria dei Padri Cardinali e Vescovi, presieduta da me, Card. Angelo Amato.

E in entrambi gli incontri collegiali, sia dei Consultori che dei Cardinali e Vescovi, è stata posta la questione se si tratti di miracolo operato da Dio, è stata data risposta affermativa.

Presentata quindi un’attenta relazione di tutte queste fasi al Sommo Pontefice Francesco ha dichiarato: "Si tratta di un miracolo operato da Dio per intercessione del Venerabile Servo di Dio Giovanni Schiavo, Sacerdote professo della Congregazione di San Giuseppe, cioè della guarigione rapida, perfetta e duratura di un uomo da 'trombosi acuta vena mesenterica superiore, con ischemia intestinale diffusa' ”.     

Beato João Schiavo (1903-1967)

Homília (*1)

Angelo Card. Amato, SDB

1. A pouco mais de cinquenta anos da morte, a Igreja eleva hoje às honras dos altares o Beato João Schiavo, missionário italiano da Congregação de São José(*2) , fundada por São Leonardo Murialdo.
Ele se santificou aqui, nesta terra brasileira, pátria de santos e de mártires. Depois da canonização de Frei Galvão, que ocorreu em São Paulo em 2007, há duas semanas atrás, na Praça de São Pedro, em Roma, o Papa Francisco canonizou os protomártires brasileiros: Santo André de Soveral, Santo Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos, São Mateus Moreira, laico, e 27 companheiros, mortos em ódio à fé em Cunhaú e Uruaçu em 1645. Foram vítimas inocentes e inermes dos inimigos da Igreja.
O seu sacrifício, no entanto, não foi inútil. As raízes da florescente igreja brasileira são de facto saldas e vigorosas, porque banhadas pelo sangue dos mártires.
Penso que, no elenco dos santos brasileiros, possa pertencer com razão, o Beato João Schiavo. Ele se sentia intimamente brasileiro. Tinha passado toda a sua vida sacerdotal e apostólica no Brasil, encontrando aqui o terreno fértil para viver e praticar em modo heróico o Evangelho de Jesus Cristo.

2. A sua luminosa figura é caracterizada pela tensão à santidade e pelo dinamismo apostólico, manifestado no cuidado e no paterno acompanhamento vocacional dos jovens.
Desde jovem manifestou cedo propósitos de santidade. Em 1930, por exemplo, escreveu: «Só uma coisa espero e desejo até ao desespero, fazer-me santo». E alguns anos mais tarde: «Quero fazer-me santo. Santo ou ir para o inferno. Farei bem todas as coisas. A cada coisa feita mal, farei penitência. Meu Deus, quero ser santo»(*3).
Disse uma testemunha: «O povo considerava santo o P. João pela sua maneira de ser, pelo modo de celebrar e acolher as pessoas. Entre os confrades, a grande maioria é da mesma opinião do povo, dizendo que, na realidade, era um homem santo»(*4).
Suor Moroso da Cunha afirma: «Muitos consideravam Padre João um santo. Esta fama de santidade tinha o seu fundamento na sua bondade, na humildade, na coerência de conduta, no bom exemplo e na sua vida evangélica»(*5).
Suor Regina Manica acrescenta: «Eu era ainda aspirante quando já se falava da santidade do Padre João. Isto tinha como fundamento a sua maneira de rezar, de tratar as pessoas, de pregar e o testemunho de vida. Nos pedia que nós nos fizéssemos santas»(*6).
Amavelmente os seus confrades diziam que Padre João tinha um defeito, o de estar muito tempo na capela. Acrescentavam também que tinha o defeito da bondade(*7).

Aprofundemos este aspeto característico do nosso Beato, a sua bondade, a sua caridade, a sua amorosidade, a sua gentileza. Esta vinha da fonte da caridade divina. A celebração a celebração quotidiana da Santa Missa era a cátedra da qual provinham as inspirações para praticar o bem. Uma Irmã testemunha: «A vida interior do Padre João se baseava no amor de Deus e no abandono à Divina Providência. […] Padre João vivia sempre na presença de Deus e era contemplativo(*8)».
A sua jaculatória preferida era: «Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso». Padre Aleixo Susin atesta: «Padre João amava imensamente Deus e, como consequência deste amor amou todos nós(*9)».
Por isso ele era capaz de derramar sobre os outros o amor que tinha por Deus, acolhendo cordialmente pequenos e grandes, mulheres e homens, sempre com o mesmo sorriso e simplicidade, fazendo assim transparecer o amor misericordioso de Deus.
Acolhia todos indistintamente com cordialidade e gentileza. Procurava levar sobre a reta via aqueles que erravam, dialogando amorosamente e rezando. Perdoava os pecadores e esquecia as indelicadezas e as ofensas. Tinha uma ternura especial pelos pobres e pelas famílias em dificuldade, que visitava, ajudava, confortava.
Um dia lhe roubaram o sobretudo. O Beato reagiu calmo e sereno: «Aquele que o roubou tinha mais frio do que eu»(*10).
Enfim, a santidade do Padre João não era desencarnada, mas operativa, vivida em modo concreto, fazendo-se tudo a todos, sobretudo mediante a caridade. Tinha um coração bom e uma paciência infinita. Era serviçal, grande trabalhador e amava o
Os testemunhos recolhidos no processo para a beatificação são concordes no afirmar que o Padre Schiavo manteve estes seus propósitos, vivendo de um modo eminentemente virtuoso. Seja em vida que depois da sua morte, era muito difundida a fama da sua santidade não só entre os seus confrades e as Irmãs Murialdinas, mas também entre o povo.

sacrifício: «Abriu instituições a favor de rapazes pobres e necessitados. Não deixou nunca de acolher pessoas pobres e necessitadas, mesmo se eram importunas»(*11).
Era no entanto prudente. Numa ocasião no almoço disse aos confrades que tinha ganho metade do dinheiro. «Em que sentido?». E ele respondeu: «Veio um italiano a pedir-me em empréstimo uma certa soma de dinheiro. Eu lhe dei só a metade daquilo que me pedia, de contrário teria perdido tudo»(*12).

4. Padre João era um apóstolo dinâmico e criativo. A ele se deve o desenvolvimento das Obras Josefinas no Brasil, o início de um verdadeiro aspirantado, a formação religiosa dos primeiros Confrades brasileiros, o reconhecimento oficial das escolas. Acompanhou com zelo infatigável as Irmãs Murialdinas brasileiras, que atingiram em breve tempo, um notável crescimento no campo escolar, religioso e assistencial.
Era enfim um missionário pio, trabalhador e inteiramente abandonado à Divina Providência.
O que é que nos diz hoje o nosso Beato? No prefácio dos santos, a Igreja nos faz rezar assim: «Na vida dos santos o Senhor nos oferece um exemplo, na sua intercessão um auxílio, na comunhão de graça um vínculo de amor fraterno».
O Beato João Schiavo hoje convida a todos nós, e sobretudo os Confrades e as Irmãs Murialdinas, a tender para a santidade. É de fato, a santidade que promove as virtudes das pessoas, mas também os talentos da sociedade inculcando nela a fraternidade, o respeito, a cooperação, a compreensão, que são a expressão concreta da caridade.
O nosso Beato nos faz abrir os olhos para ver e fazer o bem. Semeando no nosso coração, nas nossas comunidades, nas nossas famílias, na sociedade o bem se poderão recolher os frutos do bem, que são amor, perdão, alegria, amizade, partilha.
Assim foi a existência do Padre Schiavo. Comtemplemo-lo, imitemo-lo e imploremos a sua intercessão.

Beato João Schiavo, ora por nós!

*1-Proferida em Caxias do Sul (Brasil), a 28 de Outubro de 2017.
*2-Nasce a Montecchio Maggiore na província de Vicenza a 8 de Julho de 1903. Entrou nos Josefinos de Murialdo, foi ordenado sacerdote a 10 de Julho de 1927. Chegou ao Brasil em Setembro de 1931. Em 1941 fundou o Seminário Menor em Fazenda de Souza. Foi superior provincial e coordenador da nascente Congregação das Murialdinas no Brasil. Morreu a 27 de Janeiro de 1967.
*3-Positio, Informatio super virtutibus, p.15-16.
*4-Ib. p. 65
*5-Ib. p. 95.
*6-Ib. p. 96.
*7-Ib. p. 96.
*8-Ib. p. 34.
*9-Ib .p. 34.
*10-Ib. p. 41.
*11-Ib .p. 42.
*12-Ib. p. 88.